Tecnologia aliada à tradição para manter as marcas de luxo cada vez mais segmentadas e exclusivas

Eu tenho me surpreendido com o tanto de ações e novidades com as quais as marcas de luxo estão lidando, para equilibrar a tradição da exclusividade e se manter antenada com a modernidade, através das redes sociais. Gente, uma ginástica, viu?

Talvez este seja o segmento mais resistente aos avanços tecnológicos, no quesito exposição. Eu já falei aqui, anteriormente, sobre esse dilema de se manter exclusivo e nichado e evitar a popularização da marca, através das mídias digitais, mas cada vez fica mais claro que a tecnologia no mercado de luxo não pode se manter apenas dentro dos materiais e recursos oferecidos nos produtos. É preciso se abrir para as incríveis possibilidades que o mundo moderno oferece, sem o risco da popularização. Até porque, vamos combinar, quanto mais tecnologia no produto final, mais caro ele se torna, não é mesmo?

E aí, abraçando este admirável mundo novo, algumas marcas saíram na frente e já há algum tempo tem se dedicado a alinhar inovação e tradição, para oferecer objetos de desejo limitados a seus clientes. E as maravilhas finais causaram rebuliço ao redor do mundo. Vamos a elas:

O universo gamer com Valentino e Marc Jacobs

Animal Crossing é um jogo desenvolvido pela Nintendo, e foi uma verdadeira febre entre a turma da geração Z desde que foi lançado, no início da pandemia. Não só pelos desafios de construir ilhas e diversas edificações, mas porque os avatares dos personagens apresentavam looks lindíssimos e muito fofos desenhados pela marca. Foram 20 peças da coleção Primavera/Verão 2020 e Pre-Fall que deixaram o jogo na lista dos top hype, da garotada mais antenada na moda. E ainda foi possível baixar, dentro do próprio jogo, 6 looks superexclusivos, desenhados pelo próprio Marc Jacobs. Juro que até eu fiquei curiosa para conhecer o game, viu?

Burberry e sua experiência 360

Uma gigante da moda e da tradição inglesa, a Burberry investiu pesado para promover uma experiência completa aos seus clientes, criando um app dentro do famoso WeChat. Ali, o cliente pode montar seu próprio avatar, que vai evoluindo e adquirindo novos itens virtuais, conforme a pessoa explora a loja. Então, se o cliente experimenta ou compra algum produto no ambiente físico, ganha recompensas e produtos exclusivos da marca, mantendo acesa aquela vontade de sempre retornar e viver aquela experiência. Mas, se você já quer sair correndo para a Burberry mais próxima, não se anima não. O aplicativo só está disponível para as lojas da China, sem previsão de expansão para outros países, pelo menos por enquanto.

A jaqueta smart, da Levi’s

Sim, o conceito de “smart” saiu das TVs e celulares para cair nas graças dos vestuários. A Levi’s saiu na frente e criou uma jaqueta mais que especial e conectada. Ao vestir a peça, o lado esquerdo da manga apresenta um fio que permite a interação da pessoa através do toque, sendo possível tocar música, trocar de faixa, atender chamadas e até ouvir o GPS para não se perder durante a caminhada ou pedalada. A peça só foi possível de ser criada, a partir de uma parceria da Levi’s com o Google e o Projeto Jacquard, responsável pelo tecido da peça. Por ter uma trama perfeita para inserir os fios condutores, o jacquard permite que a jaqueta sincronize-se com o celular de quem a veste. Não é demais?

Gucci e seu tênis de 12 dólares

Não é pegadinha, não! É tecnologia mesmo. Recentemente, a Gucci lançou o Virtual 25, um inusitado modelo de tênis totalmente digital. E você tem a possibilidade de experimentar e adquirir o modelo virtual, pagando a bagatela de US$12 (algo em torno de R$ 65), confere aqui https://play.google.com/store/apps/details?id=com.gucci.gucciapp&hl=pt_BR&gl=US

Para criar o produto, a grife fez uma parceria com a Wanna, empresa de moda especializada em marketing e realidade aumentada. Ao comprar seu tênis virtual, você tem acesso imediato ao modelo que escolher e ainda pode compartilhar nas redes sociais. “Ah”, você pode dizer, “mas isso não é realmente ter um tênis Gucci”. Então, deixa eu te dizer que com o lançamento do app, as vendas cresceram consideravelmente e a empresa já está testando possibilidades de o cliente experimentar a mesma tecnologia nas roupas da grife.

Uma coisa é certa: as marcas de luxo vão sendo empurradas cada vez mais para dentro do mundo digital e precisam se estruturar para atender as demandas e os anseios de seus consumidores. O lado positivo? Por ser um nicho de alto poder aquisitivo, as ações e novidades mais atualizadas, cabem no bolso de seus compradores. E, se não tiver medo de dar a mão para a inovação, poderão desenvolver possibilidades incríveis de surpreender cada vez mais quem está desejando mais da boa e respeitada tradição.

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