Saiba tudo o que aconteceu nos 70 minutos de luxo sobre Moda Nacional com grandes nomes do mercado brasileiro

E mais uma edição do evento online “70 Minutos de Luxo” aconteceu ontem, dia 17 de novembro, dando sequência aos 7 encontros virtuais para comemorar o lançamento do meu último livro “7 anos de Luxo em 70 Artigos”. O tema para a noite foi a Moda Nacional, em homenagem a estreia de uma nova seção no Portal Terapia do Luxo que fala sobre a representatividade da indústria têxtil nacional.

E essa ideia surgiu a partir da iniciativa do estilista Sandro Barros que promoveu a campanha “Eu Apoio a Moda Nacional” na quarentena, para fomentar ainda mais a nossa cadeia produtiva e com os profissionais envolvidos em todo o processo.

O Sandro Barros foi um dos convidados da noite e abriu o bate papo contanto um pouco das estratégias digitais desse período e que “não basta apenas publicar um post, mas incentivar a consciência de solidariedade ativo na memória das pessoas”. Ele ainda criticou o fato de não existir um sindicato de alta costura, como existe na Europa, para unir a classe e assim ter preços mais competitivos e organizados, além de incentivar o setor e a mão de obra necessária. E completou com sua visão atual sobre o mercado nacional:

“Nós somos o único país ocidental que tem a cadeia inteira dentro do país, que tem todas as etapas da indústria têxtil até o desfile e isso é mais aproveitado por pessoas de fora do que a gente mesmo. Se a gente está num momento onde o câmbio está nas alturas, é o momento onde devemos investir na própria marca para valorizar porque ninguém vai viajar tão cedo para comprar. Vamos voltar para a mentalidade dos anos 80 onde a viagem não tinha a conotação da compra”.

Na sequência, a jornalista Tabata Bocatto e fundadora da TGB Comunicação, compartilhou um pouco a sua opinião sobre momento do segmento nacional.

“A gente percebeu a valorização de negócios locais, dos estilistas, da marca que está próxima da sua casa e foi uma oportunidade para as marcas pequenas. As collabs, novos designers, transformações, transição para um olhar mais perto de nós. Trabalhar mais forte as cores, brasilidade, eu vejo um momento de oportunidade de olhar para a cadeia toda”.

Maya Mattiazzo, que é graduada em Gestão de E-commerce e especialista em Fashion Business com mais de 15 anos de experiência no varejo também falou bastante sobre uma nova fase de transformação no mercado da moda nacional.

“E o momento das marcas antigas, tradicionais e familiares. Tivemos uma curva de aprendizado muito acelerada e foram impulsionadores para a agregação do mundo online e do offline. São novos tempos e as equipes entenderam como uma área pode contribuir para a outra. O mercado nacional está exercitando a empatia de uma forma diferente, fechados em nosso país, com movimentos paralelos favorecendo o olhar pra nossa moda”.

Sylvie Quartara, que desenvolve clutches artesanais de luxo para a sua marca Sy & Vie. também compartilhou suas ideias, uma vez que o seu trabalho tem uma atuação diferenciada dentro e fora do Brasil. Ela conta que tem muita vontade de mostrar esse produto aqui no Brasil e fazer entender que aqui temos produtos de altíssima qualidade, com design, 100% feitos por artesãos brasileiros e matéria prima brasileira. “A receptividade do produto lá fora é positiva. Percebo que elas gostam porque são inusitados, com materiais diferentes, bolsas com a verdadeira natureza e, principalmente, porque têm a pegada alegre e colorida como tantas marcas brasileiras que tem essa alegria jovialidade que o povo brasileiro tem. Todos os estilistas passam isso naturalmente em suas criações. O consumidor precisa entender que o nosso produto é bom e que não precisa comprar marcas estrangeiras para se auto afirmar.”

Ivan Jasper, Diretor Executivo da ONDM – O Negócio da Moda, um dos maiores eventos sobre moda do Brasil, trouxe uma visão mais ampla de mercado falando sobre a participação regional, em especifico o sul do país. “A primeira edição da ONDM foi para fomentar e dar palco para aqueles que fazem moda nacional envolvendo todos os setores dentro dessa cadeia – e que precisam de posicionamento. 60% do PIB da cidade de Brusque, por exemplo, é baseado no setor têxtil. Base de toda a indústria nacional, insumo nacional é aqui no sul. Mostrando regionalidade cada vez mais”.

Encerrando a noite de bate papo sobre um assunto tão relevante e atual, o historiador e professor de Moda João Braga. Eu tive a honra de receber um prefácio escrito por ele, rico em detalhes e falando sobre a impressão do número 7 para ser publicado juntamente ao meu livro e, claro, que a presença dele iria agregar valor com muito conteúdo e passagens por esse universo da moda.

O professor trouxe uma verdadeira aula sobre o que é moda no Brasil e o que é moda brasileira.  “Nos anos 80 as tendências eram de ordem internacional. Nesse intervalo de tempo, de 30 anos até agora, surgiu a pluralidade e diversidade por conta do gigantismo regional. Difícil ter uma única identidade porque somos imensos”.