Pesquisadora da riqueza gastronômica nacional, chef Débora Shornik ganha reconhecimento também na Amazônia

Ter se tornado uma chefe de cozinha foi um presente na longa caminhada de Débora Shornik. A chef Paulista, hoje uma das principais inspirações na gastronomia amazônica, iniciou sua carreira na cozinha por acaso. Foi há 20 anos atrás, no restaurante Spot, um dos mais tradicionais da capital paulista, que Débora teve seu primeiro contato com a gastronomia. A experiência durou quatro anos, quando ela decidiu por buscar novos horizontes na cozinha, algo que lhe trouxesse um sabor a mais. Apresentada por amigos, Débora conheceu a prestigiada chef de cozinha ítalo-argentina, Paola Carosella, com quem iniciou sua carreira em 2005, no Julia Cocina (hoje desativado). Três anos depois, com a abertura do novo restaurante de Paola, o charmoso Arturito, Débora se estabeleceu como chefe executiva por cinco anos (2008 a 2013).
Por questões pessoais, Débora decidiu dar um tempo de São Paulo e a convite de uma amiga, surgiu a oportunidade de se aventurar no município de Novo Airão, localizado a 195 km de Manaus, em busca de sua alegria e essência. Lá, Debora trilhou sua carreira como cozinheira de barcos, e logo depois, passou a prestar consultoria de boas práticas na cozinha para o lodge Anavilhanas.
Durante sua caminhada, Debora conheceu Ruy Tone, sócio da Expedição Katerre, também de Novo Airão. Com o empresário, quem tem vários negócios no Amazonas, surgiu a oportunidade de cozinhar no restaurante flutuante Flor do Luar, cercado por água e florestas, e mais tarde, no recém-inaugurado restaurante do lodge Mirante do Gavião, nomeado Camu-Camu, capaz de atender  aos gostos mais tradicionais dos hóspedes vindos de toda parte do mundo. Nestes, presta consultoria até hoje.
Mais tarde, por conta de sua primeira gravidez, Débora precisou retornar a cidade de São Paulo, mas desta vez com o sonho do próprio restaurante. Foi quando teve a ideia de fazer nascer o Caxiri  (nome que se refere a uma bebida indígena feita com mandioca), em um charmoso cantinho no bairro de Pinheiros, em São Paulo. E junto com sua amiga, Daniela Maia, quem também morou na Amazônia, concretizaram este sonho como sócias.
Inaugurado em julho de 2015, o Caxiri oferece uma cozinha de produto, que realça o sabor da Amazônia com delicadeza e ingredientes sazonais da época a preços amáveis. A chef brilha o respeito pelo ingrediente no estado bruto com seus sabores conservados e não define seu trabalho como amazônico, e sim, um resultado do que a Amazônia causou nela mesma.
Em sua cozinha autoral, Débora conta que o que a mais tocou na cozinha de Paola, foi aprender a cozinhar através do forno a lenha. Para ela, foi uma paixão a primeira vista, pois o fogo é base da culinária indígena. Foi o despertar de sua essência. Um ano depois, ela foi convidada por Ruy Tone a estender sua cozinha para Manaus e transformar um antigo casarão, ao lado do Teatro Amazonas. Assim nasceu o restaurante Caxiri Amazônia, em abril de 2016.
O Caxiri foi concebido no Amazonas, nasceu em São Paulo e voltou para se criar em Manaus. Entre os pratos mais cobiçados estão os ceviches de peixe matrinxã assados na brasa e a deliciosa costela de tambaqui com mil folhas de banana pacovã.
A chef Débora Shornik é uma pesquisadora da riqueza gastronômica nacional, principalmente as PANCS (plantas comestíveis não convencionais). Sua rotina é bastante dedicada na escolha e controle de qualidade dos ingredientes. “Procuramos respeitar a natureza e seus ciclos, fazer as escolhas dos ingredientes levando  em conta a procedência, o meio ambiente”, comenta a chef. Entre seus principais fornecedores estão agricultores familiares que provém alimentos orgânicos, a feira Manaus Moderna, e os peixes como o pirarucu vem de manejo sustentável. Já as carnes bovinas e suínas, como não é o forte da região amazônica, todas elas são trazidas de fora. “É gratificante poder conhecer deste o roçado, o tucupi, a farinha e goma que utilizamos, assim como a procedência e rosto do pescador que nos vende o peixe fresco cotidianamente.“, adiciona Débora.