O panorama contemporâneo do mercado de luxo mundial

Apesar da instabilidade econômica que estamos vivendo, não posso deixar de ressaltar os números positivos que o mercado de luxo apresentou nos últimos anos e que podem servir como inspiração para cenário que vai chegar. As pesquisas globais destacam um considerável crescimento do setor entre 2017 e 2018 e, no mercado brasileiro, os resultados consolidados no ano de 2019 também foram otimistas com um desenvolvimento superior a 8%, no comparativo com o ano anterior.

Mas se a tradição é um dos atributos mais marcantes dos produtos de luxo, o mercado se caracteriza pela inovação. Um bom exemplo dessa nova realidade é o e-commerce que até pouco tempo atrás era visto com reservas por muitas marcas de alto padrão e, atualmente, se tornou uma ferramenta indispensável para a conquista das metas de faturamento, principalmente com as novas estratégias em tempos de Covid-19.

Além da crescente importância do comércio virtual para as marcas do setor, novas tendências vêm se consolidando no mercado de luxo e impactando os conceitos mais tradicionais do segmento.

Sustentabilidade

A adoção de práticas sustentáveis se tornou uma exigência do consumidor moderno. Para atender a essa demanda, algumas das principais grifes de luxo do planeta buscam continuamente formas de reduzir o impacto ambiental e social de seus lançamentos. Além de preservar o meio ambiente, a sustentabilidade também busca relacionamentos mais éticos com as pessoas e, para isso, as marcas de luxo proibiram o desfile de modelos com um estado de magreza muito avançado e procuram fornecedores de matérias primas que atuam reconhecendo os direitos trabalhistas e sociais. Neste cenário, a estilista Stella McCartney é uma das principais percursoras do movimento sustentável na moda.

Geração Millennial

Uma pesquisa desenvolvida pela empresa de consultora norte-americana The Boston Consulting Group, que ouviu mais de dez mil consumidores do mercado de luxo no ano passado, identificou que a geração millennial deve aumentar o próprio consumo no setor em aproximadamente 130% nos próximos cinco anos. De acordo com o relatório publicado pela organização, os jovens millennials se consolidarão como o principal vetor de desenvolvimento do setor e luxo e, em 2024, sua parcela de consumo deverá atingir cerca de 37% do total das compras no segmento.

Mercado chinês

Se o continente europeu e a América do Norte eram os mercados prioritários para as marcas de luxo, essa realidade está mudando devido ao extraordinário crescimento do mercado chinês nos últimos anos. A Fundação Altagamma encomendou um estudo no ano passado que constatou que a China responderá por 46% do mercado de luxo global no ano de 2025. Pesquisas econômicas recentes apontam que um terço das vendas mundiais de produtos de alto padrão já acontece no mercado chinês. Marcas como Prada, Louis Vuitton, Gucci e Hermès são alguns ícones do segmento que investem fortemente no mercado chinês. Com o cenário atual, vamos acompanhar se esses números vão permanecer.

Experiências

Muito mais do que usar a sua marca favorita, os consumidores ligados ao mercado de luxo literalmente vivenciam suas grifes preferidas. Para potencializar essas vivências, as marcas de alto padrão investem cada vez mais na geração de experiências no momento da aquisição de um bem de luxo. Os clientes se sentem valorizados nesse processo e as marcas ganham a sua fidelidade. Dos ambientes internos nas lojas de varejo que oferecem e estimulam a interatividade através de recursos audiovisuais até as viagens e eventos personalizados, as marcas vem se superando cada vez mais para, além de entregar produtos de alta qualidade, transformar sonhos em realidade para seus clientes.