O mercado de luxo à espera de novos ares

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Estamos a poucos dias do início de dezembro e é uma espécie de consenso geral  afirmar que esse ano não deixará saudades. No Brasil, a instabilidade econômica mergulhou o país na crise e a tragédia no Rio Doce mostrou falhas que precisam ser corrigidas de forma urgente. No cenário mundial, as ações do Estado Islâmico que resultaram nos atentados ocorridos em Paris apontam para um futuro cuja única característica certa é a incerteza.

O mercado de luxo também sentiu os efeitos da instabilidade vivida na maioria dos países do mundo. Muitas marcas de alto padrão registraram queda nas vendas e, embora o cenário não seja de tempestade, está longe de lembrar as águas calmas pelas quais o setor navegava há alguns anos.

Os ataques simultâneos ocorridos na capital francesa tendem a impactar as principais grifes do luxo mundial de formas ainda impossíveis de ser calculadas. Marcas como Louis Vuitton e Hermès, que tinham no mercado europeu um porto seguro que equilibrava a desaceleração das vendas em regiões como a China e os Estados Unidos, devem ser prejudicadas com a onda de insegurança, já que o fluxo turístico no velho continente tende a diminuir.

As dificuldades não se limitam apenas à chegada dos clientes nas lojas e a efetiva compra de produtos. As ações de ambas as empresas sofreram quedas em razão do nível de incerteza vivenciado no momento. De acordo com uma entrevista publicada no site da revista Exame do professor de gestão estratégica da Faculdade de Administração IESE, Fabrizio Ferraro, “tata-se de uma preocupação para todas as empresas. A questão fundamental é o tamanho do impacto desses eventos sobre os fluxos de turistas. O consumo nesse setor na Europa depende do turismo”.

Um relatório divulgado pela Bain & Company, empresa especializada na análise do mercado internacional de alto padrão, destacou que o total de gastos em produtos de luxo, em 2015, deve girar em torno de um trilhão de euros. Esse valor expressivo se deve, em parte, a uma inusitada aceleração das vendas de obras de arte, automóveis e aos bons resultados registrados no segmento hoteleiro.

Ainda de acordo com o estudo, muitos segmentos cresceram de forma mais modesta do que era previsto. O mercado de vestidos e sapatos de luxo, por exemplo, deve fechar de forma constante, com um leve acréscimo de 1% nas vendas, bem distante de uma projeção de até 4% que chegou a ser considerada para o período.

Alguns especialistas traçam um cenário um pouco mais otimista em relação ao ano que está para chegar e indicam que os índices do mercado de luxo devem começar a reagir a partir do segundo trimestre de 2016. E mesmo que a preocupação com a segurança seja uma das prioridades das pessoas, o setor turístico deve apresentar índices bastante significativos para o próximo ano.

Descobrir recantos inexplorados, criar memórias inesquecíveis e viajar com a família estão entre os principais desejos identificados em uma pesquisa cujo alvo era o setor turístico. Destinos como Cuba e Islândia e tendências como os cruzeiros de luxo e as viagens de aventura configuraram-se como preferências entre os entrevistados.

O alvorecer do próximo ano está perto e o desejo de todos é que o mercado de luxo, realmente, encontre novos ares para alçar voos ainda maiores em 2016.