O consumo consciente como prioridade para o novo consumidor

Na última semana, durante o meu primeiro evento online “70 minutos de Luxo”, eu ouvi atentamente uma de minhas convidadas, Lolo Ascar – especialista em moda, falar sobre o novo padrão de consumo. Segundo a comunicadora, não tem como separar moda de consumo e consumo de sustentabilidade, uma vez que nossas escolhas dependem de uma atitude mais responsável e ética no sentido de não acumulação.

Pensando nisso, comecei a traçar algumas linhas de raciocínio através de algumas pesquisas que mostram que o consumo consciente ganhou força durante a pandemia, o que mostra uma consequência positiva e que deve permanecer.

O que chamamos de economia circular, uma atitude estratégica que busca diminuir resíduos, valorizar a matéria prima, reciclar e reutilizar materiais a fim de minimizar impactos ambientais, está cada vez mais presente na idealização dos novos consumidores e, até por isso, os brechós ganharam mais espaço no mercado.

Um exemplo disso é o brechó de luxo @cansei_vendi que registrou um crescimento de 30% de abril a julho em comparação ao mesmo período do ano passado e expande o acervo de seminovos com a criação da seção “New But Sustainable”, que traz produtos sustentáveis, naturais e artesanais para complementar o portfólio.

“Essa temporada de isolamento consolidou a mudança de mindset das pessoas. O cliente não quer apenas uma bolsa bacana, quer aquela que também está atrelada a uma prática consciente e à redução do impacto ao meio-ambiente. É um pensamento que veio pra ficar”, afirma Leilane Sabatini, CEO da empresa. Recente pesquisa do Instituto Locomotiva comprova a análise, ao mostrar que 42% dos entrevistados confirmaram uma maior preocupação com as marcas em si.

E esses números podem até parecer controversos diante da queda de vendas globais no mercado de luxo, estimada em 25% no primeiro trimestre e devem somar um encolhimento de até 35% em 2020.

Segundo a consultoria Bain & Company, o @cansei_vendi registrou um aumento expressivo nas transações e atingiu recorde de faturamento mensal em agosto. “As pessoas não estão viajando, por conta das restrições para conter o coronavírus, e a alta do dólar tornou os importados inviáveis. A moda é cíclica, os produtos invariavelmente voltam a ficar em alta”, analisa Leilane.

Avaliando minuciosamente a nova forma de pensar, agir e consumir do público, a ideia de transformar sua marca e reinventar seu posicionamento se faz necessária para atender a uma nova demanda e a um consumidor que ainda descobre seu poder de transformar o mercado.