Casa Vogue: uma incursão por Minas Gerais e os vencedores do Prêmio Casa Vogue Design 2021

A Casa Vogue dedica a sua edição de junho a Minas Gerais, para onde a equipe da revista viajou a fim de levar aos leitores o que há de mais relevante e novo na arquitetura, no design e na arte do estado. O número revela a trajetória e a contribuição social do mestre Lúcio Ventania por meio do bambu, os bastidores do pós-modernismo mineiro e seus reflexos em importantes construções da região e a história da pedra-sabão, matéria-prima de Aleijadinho a arquitetos e designers contemporâneos em diferentes e importantes projetos. A 5ª edição do Prêmio Casa Vogue é uma homenagem a Paulo Mendes da Rocha coroam a edição, que também apresenta obras assinadas pelo escritório Jacobsen Arquitetura em Itaúna, MG, detalhes do apartamento do estilista Luiz Claudio Silva (apartamento 03) e da intervenção da Play Arquitetura em um apartamento de um prédio setentista, ambos em Belo Horizonte, e o legado de um casarão com mais de 150 anos em Ouro Preto, reformado por Bruno Santos, um dos sócios do escritório BCMF Arquitetos, e sua esposa, Mariana Hardy, diretora de criação do estúdio Hardy Design.

Em reportagem especial, grandes nomes da arquitetura mineira falam sobre os reflexos do pós-modernismo na região e destacam a fórmula – crítica, irônica e libertária – que deu origem ao movimento. Na arquitetura internacional, o pós-modernismo está presente há mais de 50 anos. Em território brasileiro, o movimento adquiriu forte sotaque mineiro, e segue fugindo de rótulos. E qual a razão para o pós-modernismo brasileiro ter florescido em Minas Gerais? Nos anos 1970, Belo Horizonte vivenciava o impulso do milagre econômico, o que permitiu a construção de prédios modernos no lugar de casarões antigos. Nas páginas de Casa Vogue, os leitores verão análises e curiosidades sobre Capela de Santana do Pé do Morro, em Ouro Branco, MG, Centro Empresarial Raja Gabaglia, em Belo Horizonte, e também o Centro de Apoio Turístico Tancredo Neves (o popular Rainha da Sucata, atual sede do Museu de Mineralogia), criações dos arquitetos Éolo Maia Jô Vasconcellos e Sylvio de Podestá, respectivamente.

Editorial Hardy. Foto: Fran Parente

Casa Vogue resgata também a história da pedra-sabão. Abundante em Minas Gerais, a matéria-prima encontrou em Aleijadinho – que adotou o material em templos dos séculos 18 e 19 como as esculturas da igreja da Ordem Terceira da Penitência de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, (que inclui pinturas de Manoel da Costa Athaide, e é considerada uma obra-prima do barroco mineiro) e o Santuário de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas, – o seu maior artífice, e tornou-se herança cultural do estado, mas hoje figura com timidez na arquitetura e no design.

Já na seção Em Casa Com, Casa Vogue apresenta a história de Lúcio Ventania, mestre bambuzeiro com 46 anos de trajetória. O mineiro de Belo Horizonte vive e trabalha num conjunto de construções de bambu, cercadas por um viveiro. Ali, funciona um centro de referência onde ele capacita artesãos a cultivar esta gramínea e utilizá-la na construção de casas, móveis e objetos, e mostra o potencial da planta para gerar transformação social e reequilibrar o meio ambiente. Seu trabalho já ecoou na China e índia.

A seção Casas traz projetos inspiradores, a começar pelos detalhes da casa do estilista mineiro Luiz Claudio Silva, do Apartamento 03, um imóvel antigo, lapidado com a ajuda de seu companheiro Leo e os trabalhos da galerista Flávia Albuquerque. Difícil de definir e impossível de rotular, uma miscelânea de referências se espelha tanto na morada do estilista quanto na moda que propõe. Rico em lembranças, um sítio, a 15 minutos de Itaúna, merecia uma sede nova para continuar a servir a família Nogueira em seus fins de semana à beira da represa do Benfica. Coube ao escritório carioca Jacobsen Arquitetura assinar seu primeiro projeto em Minas Gerais, com o compromisso de levar o descontraído espírito tropical à beira de uma represa no quadrilátero ferrífero do estado. Histórias pregressas fundamentam a intervenção do escritório mineiro Play Arquitetura, localizado no Sion, em Belo Horizonte: janelas generosas, uma planta ampla e a vista atraíram para este edifício de 1975, o casal, Túlio Guimarães e Leo Gomes, vindos de uma cobertura e de um apartamento compacto, uniram suas trajetórias neste imóvel de 240 m², seu primeiro endereço juntos. Ainda, o legado de um casarão com mais de mais de 150 anos em Ouro Preto, que desfruta de um privilégio raríssimo: a proximidade extrema com a Igreja da Ordem Terceira da Penitência de São Francisco de Assis, obra-prima de Aleijadinho (1738-1814) e pintada por Manoel da Costa Athaide (1762-1830). O imóvel, que já acolheu gerações da família e é capa da edição, foi reformado pelo arquiteto Bruno Santos, do BCMF Arquitetos, e sua esposa, a arquiteta Mariana Hardy, do estúdio Hardy Design.

Em Decor Stories, os detalhes de um sítio localizado na cidade de Moeda, Minas Gerais, que segue o design contemporâneo com inspirações no campo, marcenaria, artesanato, móveis mais novos e antigos, e que ganhou o título especial de ‘Campo da Memória’.

Detalhes das peças vencedoras da 5ª edição do Prêmio Casa Vogue Design, maior premiação do setor no país, que prestou uma homenagem ao arquiteto e designer Percival Lafer, podem ser conferidos em matéria especial na revista. Entre os destaques do ano, estão os trabalhos de Pietro Oliveira, vencedor da categoria ‘Talento em Ascensão’, e Patricia Anastassiadis eleita ‘Designer do Ano’.

Para coroar a edição, a seção Last Look presta uma homenagem a Paulo Mendes da Rocha (1928-2021). Em depoimento à jornalista Marianne Wenzel, os arquitetos Gustavo Cedroni e Martin Corullon, que trabalharam lado a lado com ele por anos, falam do legado do arquiteto para o Brasil e o mundo.

 

 

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