A experiência do luxo

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Uma das imagens mais lembradas da cinematografia recente completou 20 anos recentemente. Em 1994 Forrest Gump – O Contador de Histórias emocionou plateias em todo o mundo e, entre as muitas cenas que ficaram imortalizadas no imaginário das pessoas, a sequência da pena que tremulava ao sabor do vento foi uma das mais comentadas.

A mensagem da cena era clara: mesmo que o destino nos leve por caminhos inesperados, a nossa determinação nos fará chegar ao objetivo desejado. E embora o significado seja profundo, muita gente se lembra apenas da beleza da pena voando, como se a forma fosse muito mais importante que o conteúdo.

Esse fascínio pelas aparências, ainda hoje, está presente em muitas pessoas que acompanham o universo do luxo. Mesmo com as mudanças propostas pelo novo luxo, que dá muito mais valor ao ser do que ao ter e incentiva muito mais a experiência do que a acumulação, não é difícil encontrar ainda quem é deslumbrado pelos reluzentes e caríssimos objetos do desejo consumista.

Uma das vozes que se mantém fiel ao conceito de luxo enquanto aprimoramento do ser humano é o filósofo Gilles Lipovetsky. Os livros e textos de sua autoria contemplam o universo premium como elemento intrínseco do aprofundamento dos desejos humanos. Muito mais importante do que o custo de um determinado produto de luxo é o quanto a experiência dele vai agregar à vida da pessoa.

“Adote o slow food, o slow pensamento, o slow sexo: a pressa é inimiga do bom proveito” ressalta o filósofo numa de suas frases famosas. Se a primeira vista o pensamento parece ter sido extraído de um manual para uma boa vida, a impressão é correta. Além de atitudes como essas contribuírem fortemente para uma melhor qualidade de vida, elas também fazem com que a apreciação dos bens de luxo seja ainda mais intensa. Ao manter um ritmo de vida mais calmo a experiência de degustar um saboroso prato num restaurante tende a se maximizar. Pensar de forma mais harmoniosa também facilita a busca por respostas e aproveitar o sexo com todo o tempo do mundo, bem, isso não precisa nem falar.

Outro aforismo de Lipovetsky muito significativo, principalmente levando-se em consideração a sociedade tecnológica que vivemos diz: “Conecte-se ao mundo virtual sem esquecer as experiências reais”. Em tempos nos quais as pessoas conversam mais tempo através de dispositivos eletrônicos como smartphones e tablets do que pessoalmente trocando olhares e expressões, essa reflexão faz muito sentido. Muito mais importante do que comprar um luxuoso celular cheio de brilhantes e de última geração, são as palavras de carinho que você vai trocar com seus amigos e familiares. É claro que a tecnologia existe para facilitar a vida, mas é fundamental dar mais importâncias às pessoas do que aos aparelhos eletrônicos.

A experiência do luxo deve ser uma extensão das coisas boas da vida. Um final de semana com os amigos, um jantar a luz de velas, um carinho na pessoa amada, um mergulho no mar ou ouvir uma boa história em frente à lareira nestes dias de frio são o que compõem uma vida de luxo.

Crédito da imagem: Reprodução.