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O Metaverso como futuro para o Branding de Luxo

Marcas de luxo apostam no Metaverso para revolucionarem o seu Branding e Marketing.

Nas últimas semanas, um dos assuntos que tomou conta da internet foi o Metaverso como o futuro da interação social no mundo virtual, após Mark Zuckerberg, CEO e fundador do Facebook, anunciou a mudança de nome do grupo que controla a rede social para “Meta”. Considerado o “próximo capítulo da Internet”, o mundo virtual onde as pessoas poderão interagir e realizar atividades em conjunto e até mesmo compras, o termo foi criado por Neal Stephenson, em seu livro de ficção científica “Snow Crash” (1992), referindo-se à um mundo virtual em 3D, habitado por avatares de pessoas reais.

E se o universo virtual ganhou ainda mais força desde o início da pandemia, com novas experiências que não param de surgir, neste contexto, o Metaverso promete tomar um lugar de destaque, compondo um conglomerado infinito de mundos virtuais, um conjunto interconectado de experiências onde realidade aumentada, virtual e física serão convergidas, e criando um terreno fértil para as marcas transformarem os seus negócios e levarem o relacionamento com o consumidor para um novo patamar. A Balenciaga, por exemplo, já deu seus primeiros passos no Metaverso após fechar uma parceria com o Fortnite para levar as suas peças fashionistas ao jogo.

A Gucci também é outra label que vem apostando forte na tecnologia como ferramenta capaz de levar o cliente para dentro do ambiente digital com vivências imersivas, interativas e extremamente realistas. Recentemente, a grife de luxo italiana vendeu uma versão digital da sua bolsa Dionysus na Roblox, plataforma global que une pessoas através de experiências compartilhadas, por US$ 4.115, valor acima do preço de uma peça física. Com mais de 42 milhões de usuários ativos diários, metade dessa multidão com menos de 13 anos, a Roblox é uma plataforma de jogos virtuais onde a Gucci viu espaço para seduzir e ensinar, desde cedo, o valor de uma marca de luxo.

Metaverse Marketing

Diante deste cenário, com o Metaverso tendo se tornado uma realidade, as marcas precisam começar a adotar em suas estratégias o que chamamos de “Metaverse Marketing”: cada vez mais, notadamente a partir do fenômeno 5G e da “internet das coisas”, o uso das realidades virtuais conectadas ao mundo real estão a disposição do storytelling das marcas. Logo, é preciso prestar atenção ao Metaverso porque essa é a próxima fronteira para a interação on-line. Assim como a mídia social revolucionou o panorama do Marketing Digital, o Metaverso também o fará, com seus gadgets e ferramentas capazes de criar realidade paralelas, envolvendo os usuários e praticantes em realidades que se misturam. Real e virtual. “Figital”!

A ideia de que a internet é um “lugar” se tornou, de certa forma, realidade com o Metaverso, pois esse universo oferece a possibilidade de interagir através da internet em ambientes criados virtualmente. Para as marcas, o Metaverso abre possibilidades de marketing, relacionamento e networking nunca antes imaginadas. No Gucci Garden, dentro da plataforma do game Roblox, inclusive, era possível customizar e transformar o avatar do participante com itens que foram virtualmente reproduzidos da galeria conceito da marca criada em Florença, na Itália. Em determinados momentos, dentro desse passeio virtual, aconteciam eventos exclusivos onde era possível adquirir itens Gucci por 400 Robux, a moeda do jogo.

Frente ao Metaverso, a moda e o luxo estão rapidamente se reinventando. A Burberry, marca britânica tradicional de quase 200 anos, é outra que também parece estar ansiosa para abocanhar um pedaço dessa “torta digital”. A grife fechou parceria com o Blankos Block Party, um jogo online no estilo multiplayer, criando e vendendo roupas para serem usadas digitalmente, através dos tokens não fungíveis (NFTs), ativos digitais únicos, com um certificado de propriedade e que possam ser considerados exclusivos. É o marketing cumprindo o seu papel dentro de um novo cenário de infinitas e novas oportunidades: enquanto os jogadores procuram exibir seus ativos recém-adquiridos, a grife criada por Thomas Burberry lança mão das tecnologias do Metaverso para reposicionar o seu branding, aumentar a sua exposição da marca e atingir novos públicos.