Cuidado! Sua mente está sendo enganada

Deep Fake Fashion Show – Balenciaga

Aos poucos, o mundo da moda e da alta-costura vai se reestruturando para voltar com as rotinas de desfiles físicos. Aqui no Brasil ainda estão mantidas as semanas, como a São Paulo Fashion Week (SPFW), inteiramente digital, por razões óbvias mas na Europa, as coisas começam a esquentar e a comunidade prêt-à-porter que determina as tendências, segmentadas nas marcas de alto luxo, já começam a produzir eventos presenciais babadeiros, sem trocadilho.

Mas, como é de costume, a cada temporada de desfiles, há um desdobramento para promover não mais um simples entra e sai de modelos magérrimas na passarela, mas uma experiência única e inesquecível para quem tem a sorte de estar presente. E, com a ajuda da tecnologia, cada vez mais forte, essas vivências se superam e mostram que criatividade aliada ao digital são o norte das estratégias de produção de um desfile memorável e que agrega muito valor às marcas.

Quem saiu na frente desse universo hi-tech foi a Balenciaga, que apresentou sua coleção de verão 2022, na primeira semana de junho e usou o que chamamos de tecnologia Deep Fake, para clonar uma modelo e usar a sua imagem por quase sete minutos, na passarela.

No desfile, apenas uma ampla passarela branca e a plateia no entorno, usava roupas pretas a pedido da marca, tudo já estratégico para causar o efeito UAU esperado. Enquanto aguardavam ansiosos pelo início do show, com celulares em punho alto, se surpreendem com a entrada da musa de Demna Gvasalia, estilista da marca, a artista plástica Eliza Douglas. E aí a tecnologia deixa sua marca. A modelo entra e sai da passarela diversas vezes, usando e exibindo todas as peças da coleção. TODAS! Masculinas e femininas. É ou não é incrível?

Daí você pensa “mas como pode ser isso?” Easy. A marca contou com a ajuda de um produtor de vídeo, que desenhou e tornou possível essa loucura virtual. No caso deste desfile, o rosto de Eliza foi digitalizado e replicado, acredite, em diversos dublês que precisaram treinar muito para copiar a maneira de desfilar da artista plástica. Tudo milimetricamente traçado, para que a apresentação fosse perfeita. Essa técnica de replicar rostos de uma pessoa em outra, é chamada deep fake e bastante usada em memes. A boa e velha montagem, com poder de enganar a nossa mente ainda mais, através de recursos tecnológicos. E esse foi o mote e o desafio da Balenciaga, com a proposta do desfile. Levar as pessoas à seguinte reflexão “se o que a gente vê virtualmente não é real. O que é real, então?”. E nessa linha, o estilista põe a gente para refletir sobre como as tendências de moda diminuem a nossa individualidade, já que parecemos todos iguais, usando as mesmas coisas.

Esse é o grande barato de se aliar tecnologia e moda. Trazer à luz reflexões que nos coloquem em um patamar de realidade mais provocador, que nos mantenham conectados com aquilo que nos torna humanos, para que vivamos mais o agora, que olhemos para o outro, que nos importemos mais com o que é tangível e que nos permite interação e troca. Demna Gvasalia é um estilista que busca sempre colocar em suas coleções reflexões desse tipo, por isso a ideia do deep fake faz muito sentido. Uma maneira extremamente criativa de alinhar moda e revolução digital.

 

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