A revolução da vida urbana como um novo modelo de futuro

Dias atrás me deparei com uma notícia que me fez refletir muito sobre as futuras disposições humanas em todos os setores da vida. Hoje falamos muito sobre “humanizar” marcas, empresas, produtos e serviços e, com certeza, construir ideais através de pessoas e não de coisas pode ser o projeto dos próximos anos e décadas à frente.

“The Line” (ou “A Linha”), é uma verdadeira revolução na vida urbana: uma cidade de um milhão de habitantes com 170 km de extensão que preserva 95% da natureza, com zero carros, zero ruas e zero emissões de carbono. Mas isso é possível?

Isso tudo estará dentro do NEOM, um portfólio diversificado e de classe mundial do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, um dos maiores fundos soberanos do mundo.  Segundo explicações dentro do próprio material de divulgação do “The Line”, NEOM é um acelerador do progresso humano e uma visão de como pode ser um novo futuro. É, na verdade, uma região no noroeste da Arábia Saudita, no Mar Vermelho, sendo construída do zero como um laboratório vivo. Um lugar onde o empreendedorismo traçará o curso para uma nova era e será um destino e um lar para pessoas que sonham alto e queiram fazer parte da construção de um novo modelo de vida excepcional, criando negócios prósperos e reinventando a conservação ambiental.

A partir disso parei para pensar em como um setor, que seria o da construção civil, poderia, então, se reinventar diante de um modelo tão revolucionário de criar comunidades de convívio, fazendo assim uma reflexão sobre como toda e qualquer área de negócio e atuação pode criar novos modelos e padrões de existência atendendo a um novo comportamento de público. Hoje em dia e, principalmente depois da pandemia, as pessoas passaram a valorizar bem-estar, união, o meio ambiente e os processos cada vez mais naturais.

“A Linha” chega para dar de presente uma nova possibilidade de viver, onde as pessoas vêm em primeiro lugar, desenvolvendo um novo modelo urbano, onde tudo está sempre às mãos e a 5 minutos (sem percursos de carro, abrindo espaço para um lifestyle saudável), protegendo paisagens e vivendo em harmonia com a natureza, e com uma vida simplificada pela tecnologia, por meio de infraestrutura habilitada, invisível e inovadora.

O idealizador de tudo isso, o príncipe Mohammed bin Salman, explica: “Ao longo da história, as cidades foram construídas para proteger seus cidadãos. Depois da Revolução Industrial, as cidades priorizaram máquinas, carros e fábricas ao invés de pessoas. Nas cidades que são vistas com as mais avançadas do mundo, as pessoas passam anos de suas vidas viajando para fora delas, constantemente. Em 2050, 1 bilhão de pessoas terá que se mudar devido ao aumento das emissões de CO2 e do nível do mar. 90% de pessoas respiram ar poluído. Por que devemos sacrificar a natureza em prol do desenvolvimento? Porque deveria sete milhões de pessoas morrem todos os anos por causa da poluição? Por que deveríamos perder um milhão de pessoas a cada ano devido a acidentes de trânsito? E por que devemos aceitar desperdiçar anos de nossas vidas indo para o trabalho? Portanto, precisamos transformar o conceito de uma cidade convencional em futurista”.

As comunidades do “The Line” serão cognitivas, alimentadas por Inteligência Artificial (IA), aprendendo continuamente formas preditivas de tornar a vida mais fácil, criando tempo para residentes e empresas. Cerca de 90% dos dados disponíveis serão aproveitados para aprimorar os recursos de infraestrutura muito além do 1% normalmente utilizado nas cidades inteligentes existentes. Redefinindo a sustentabilidade, “The Line” compreenderá empreendimentos urbanos com carbono positivo, movidos a 100% energia limpa, fornecendo ambientes livres de poluição, mais saudáveis ​​e mais sustentáveis ​​para os residentes. Comunidades de uso misto serão construídas em torno da natureza, em vez de “sobre ela”.