Super Terça: como as eleições americanas podem ditar os rumos da economia

As movimentações e tendências nos Estados Unidos e na China – duas grandes potências mundiais – estão sendo acompanhadas de perto pelo mundo todo. E este ano, as eleições presidenciais americanas e a epidemia de coronavírus no país asiático são as grandes incertezas envolvendo os dois países e que prometem afetar a economia global em 2020, influenciando todos os nichos de mercados, inclusive o de luxo.

E nesta terça-feira, 03, ocorre um dos dias mais importantes das eleições presidenciais americanas, que pode ditar o futuro da maior economia do planeta: a “Super Terça”, onde 14 estados e o território estadunidense no Pacífico irão realizar as suas eleições primárias, que irá determinar qual pré-candidato presidencial democrata os eleitores preferem para desafiar o presidente republicano Donald Trump, em novembro.

A decisão de quem será o novo commander-in-chief da maior potencial mundial impacta nos mais variados setores. Por exemplo, para onde caminhará a economia dos EUA, qual tipo de política econômica será adotada? Qual o nível de relacionamento com os demais países? Essas e uma extensa lista de questões importantes poderão influenciar em como será o ritmo de crescimento global e como o país agirá perante um risco mais acentuado de uma recessão.

E o mercado de luxo também está de olho no resultado dessa Super Terça e de quem será o possível concorrente de Donald Trump pela cadeira no Salão Oval da Casa Branca. O poderoso conglomerado de luxo francês LVMH, por exemplo, que em 2019 realizou uma operação bilionária para adquirir a joalheria norte-americana Tiffany and CO., deseja expandir os seus negócios nos Estados Unidos e obter maior acesso aos consumidores de luxo norte-americanos.

Nesse sentido, a América é a próxima fronteira do LVMH. Quando pensamos onde os consumidores mais ricos podem ser encontrados, os Estados Unidos estão muito à frente de qualquer outro mercado. O Global Wealth Report de 2019 aponta 18,6 milhões de milionários no país. Em uma recente inauguração de uma fábrica de couros do LVMH no Texas, inclusive, na qual o presidente Donald Trump compareceu para “cortar a fita”, Bernard Arnault, CEO do grupo, teria afirmado que “o mercado dos EUA é o número um no mundo para a LVMH”.

Um mercado que já sofre com o avanço da epidemia de coronavírus no mundo e a recessão da economia chinesa, epicentro da doença, pode enfrentar ainda mais volatilidade e incertezas com as eleições americanas. A consultoria Bain & Company já estimou que a categoria de artigos de luxo pode crescer, em média, 3,5% ao ano até 2025, mas esse crescimento pode ser menor se houver mudanças no cenário econômico internacional ou crise política nas principais potências mundiais.