O luxo à mesa

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A democratização do luxo, que vivemos nos tempos atuais, permite cada vez mais o acesso das pessoas aos bens e serviços de alto padrão. Ao analisar a história humana, que engloba, por sua vez, a história do luxo, é possível perceber que essa democratização, mesmo que de forma muito discreta, vem promovendo ao longo do tempo mudanças significativas na maneira como a sociedade se comporta e, por conseguinte, elevando também em grande escala a qualidade de vida das pessoas.

Prova disso é o uso sistemático dos talheres. Nos dias de hoje, é impossível imaginar saborear uma deliciosa refeição sem a utilização de facas, garfos, colheres e toda a série de ferramentas concebidas para tornar ainda mais apetitosos os feitos gastronômicos. Mas, nem sempre foi assim. Se hoje os talheres são indispensáveis na vida cotidiana, durante muito tempo a realidade foi diferente.

De acordo com uma matéria publicada no site da revista Mundo Estranho, até “o século XI, quase todo mundo comia com as mãos. Os mais educados eram aqueles que usavam apenas três dedos para levar o alimento à boca. Naquele século, Domenico Salvo, membro da corte de Veneza, casou-se com a princesa Teodora, de Bizâncio. Ela trouxe no enxoval um objeto pontudo, com dois dentes, que usava para espetar os alimentos. Esse primeiro garfo foi considerado uma heresia: o alimento, fornecido por Deus era sagrado e tinha de ser comido com as mãos. Mas, pouco a pouco, membros da nobreza e do clero foram adotando o talher”.

Nestes dez séculos em que a humanidade passou a se alimentar com mais classe e elegância, naturalmente os talheres foram evoluindo e, gradativamente, tornaram-se peças do mais alto luxo e refinamento. A importância que essas peças acumularam ao longo dos anos é tão grande que, em muitos países do mundo, os museus abrigam entre seus destaques talheres que, literalmente, contam uma parte da história.

Atualmente, diversas empresas em todo o mundo produzem peças para servir a mesa que agrupam qualidades como elegância, estilo e charme. Grandes nomes do designer mundial também criaram peças que se tornaram clássicas. Exemplo disso é a coleção assinada pela arquiteta iraquiana Zaha Hadid que, com suas belíssimas linhas sinuosas, foi produzida com exclusividade para a marca WMF.

Entre as marcas que se destacam na criação de talheres que transcendem sua utilidade e se tornam verdadeiras obras de arte está a francesa Christofle. A linha batizada com o espirituoso nome de Jardin d’Eden é um autêntico mergulho num paraíso repleto de beleza e personalidade. As folhas entrelaçadas, flores e cachos que enfeitam cada peça tornam a decoração dos talheres deslumbrante e exclusiva.

Até designers brasileiros, como o renomado arquiteto Arthur Casas, desenvolveram trabalhos nessa área, trazendo seus estilos próprios para os clássicos faqueiros. Se saborear a mais fina gastronomia é uma experiência que não tem preço, com certeza essa experiência se potencializa com talheres que são puro luxo.