O legado de Givenchy: Como o estilista mudou os padrões estéticos na era de ouro de Hollywood

Quando Audrey Hepburn, na pele da garota de programa Holly Goligtly, surgiu no número 727 da Quinta Avenida, em Nova York, trajando um inesquecível vestido preto de cetim, sem mangas, complementado apenas por colar de pérolas e luvas, ela e o estilista Hubert de Givenchy selavam ali a união definitiva da moda com Hollywood. O designer francês, considerado o último grande nome da era de ouro da alta-costura, se despediu da vida no último sábado, 10 de março, aos 91 anos, deixando um importante legado para o mundo da moda.

Uma das cenas icônicas de “Bonequinha de Luxo”

Hubert de Givenchy fez parte de uma geração de costureiros que criaram suas marcas na França pós-Segunda Guerra Mundial, abrindo a sua maison em Paris aos 25 anos, ganhando reconhecimento quase que imediato. Seus desenhos ajudaram a simplificar a silhueta feminina nos anos 1950, trazendo um requinte atemporal e sofisticação à mulher. Porém, foi em 1953 que aconteceu o encontro que iria mudar para sempre a sua vida e redefinir os padrões estéticos de Hollywood.

Audrey Hepburn e Hubert de Givenchy

Conta-se que quando Audrey Hepburn visitou o ateliê do estilista pela primeira vez, depois de aceitar o papel de protagonista em Sabrina (1954), ele achava que iria encontrar “Miss Hepburn”, a famosa e já celebrada atriz Katherine Hepburn. A decepção inicial ao deparar-se com a estrela em ascensão logo se transformou em uma icônica colaboração de quatro décadas que ajudou a fazer história na relação entre a indústria do cinema e a alta costura.

Novamente, Audrey Hepburn e Hubert de Givenchy

Em uma época onde eram celebradas as curvas voluptuosas de Marilyn Monroe, as criações de Givenchy para a sua musa inauguraram uma fase de novo padrão estético em Hollywood, onde as silhuetas enxutas ditavam moda, embaladas por produções clássicas e extremamente femininas. Da echarpe vermelha de Cinderela em Paris (1957), passando pelo decotado vestido preto e branco de Sabrina  até o eterno “pretinho básico” de Bonequinha de Luxo”(1961), as criações do costureiro francês trouxeram ao guarda-roupa feminino a simplicidade elegante tão desejada.

Audrey Hepburn trajando Givenchy em “Sabrina”

Ao longo de quase 50 anos de carreira, o estilista construiu uma das maiores grifes da indústria da moda. Hoje, a Givenchy, que faz parte do poderoso grupo LVMH, segue rezando pela cartilha escrita pelo seu fundador, mantendo o espírito clássico, baseado na imponência do preto e branco, das golas altas sofisticadas e dos decotes bem pensados, sempre estruturados de maneira majestosa e arquitetônica. Givenchy foi quem melhor conseguiu traduzir a moda em sonhos e encantamento, criando um estilo que ultrapassaria as fronteiras do tempo e peças que entrariam para sempre no imaginário popular.

Crédito das imagens: Reprodução. Na imagem que abre a matéria, está Audrey Hepburn trajando Givenchy em “Cinderela em Paris”.