Entrevista da Semana com Monica Okamoto: Existe o medo de envelhecer?

O medo de envelhecer já foi considerado o mal do século. A gerontofobia (ou gerascofobia) nada mais é do que uma rejeição à velhice e, consequentemente, aos que estão passando por isso. Numa pesquisa realizada ainda em 2017, pelo Instituto Qualibest, revelou que 9 em cada 10 brasileiros têm medo de enfrentar as idades mais avançadas.

Inclusive, por isso, é que a medicina se desenvolveu tanto em cirurgias plásticas e tratamentos estéticos faciais para aqueles que procuram envelhecer com saúde, leveza, porém com uma aparência mais amena diante das temidas ruguinhas.

Na entrevista da semana, Dra Monica Okamoto, cirurgiã plástica especializada no atendimento feminino, fala um pouco sobre esse medo de envelhecer.

 

 

Dra, você consegue reconhecer esse receio de envelhecer no seu dia a dia com as pacientes?

Eu lido muito com o universo feminino e posso afirmar que sim, existe o medo de envelhecer. Mas é mais um receio do que um temor porque a nossa sociedade, cada dia mais, exige que as pessoas estejam mais bonitas, com mais saúde e produtivas. Algumas pacientes relatam esse medo de envelhecer talvez por essa cobrança, já que ter mais idade não vai se adequar a essa pressão da sociedade.

Lógico que a gente sabe que isso não corresponde à realidade. Saúde, beleza e produtividade não são coisas que são associadas à idade. Isso não é verdade e caba existindo um preconceito. Também por uma questão de autoestima e é exatamente nesse momento que elas me procuram.

Envelhecer é um processo natural. Quais são essas mudanças mais evidentes no corpo de uma mulher?

Envelhecer é um processo natural, mas as mudanças existem. As mais evidentes no corpo de uma mulher estão mais direcionadas a partir dos 30 anos ,quando há uma diminuição na produção do colágeno, principal e proteína estrutural da nossa pele. O consumo ainda é alto enquanto a produção está sendo baixa – essa conta não fecha. A diminuição da espessura da pele, começar a ter flacidez, alterações ósseas, reabsorção óssea principalmente no rosto e isso também diminui a estrutura de sustentação do rosto. Os hormônios: metabolismo muda e gera dificuldade de perder peso, por exemplo, e aí vai tendo acúmulo de gordura em locais específicos. E as mulheres que já são mães também vão experimentar uma flacidez de pele na barriga por conta da gestação e nas mamas também porque existe uma liposubstituição do tecido glandular, o tecido da mama (que é firme e denso) a medida que passa o tempo, vai se transformando em gordura e perde a sustentação.

Seu trabalho também é corresponder a um equilíbrio para manter a autoestima da mulher. Como você aplica isso diariamente com a sua profissão?

Um equilíbrio é fundamental e a logo da minha clínica já diz exatamente isso: “autoestima acima de tudo” porque autoestima gera autoconfiança e faz a mulher se sentir melhor.  Eu, particularmente, sou muito comedida e sem exageros. Eu preciso entender o que essa mulher está buscando, como ela quer se enxergar, para adequar o que vou proporcionar pra ela e que vá corresponder às expectativas. A gente sabe que hoje em dia está conseguindo adiar cirurgias faciais, por exemplo, por um tempo maior por causa das tecnologias, dos bioestimuladores e revolução no mercado de cosméticos. Antigamente uma mulher de 45 anos já procurava fazer um lifting facial.

A gente promove os tratamentos devagar, conforme necessidade e respeitando os desejos de cada mulher. Obviamente que a procura de um tratamento mais tardiamente, a indicação é um pouco mais agressiva como o próprio lifting pra trazer um resultado completamente satisfatório.

Envelhecer é natural, mas como fazer isso de uma forma que ameniza na nossa imagem?

Envelhecer é natural, mas a melhor forma é começar a prevenir e se cuidar o quanto antes. Esse é um conselho que eu dou para as mais jovens. Fazendo uma hidratação adequada, por exemplo. Existem várias maneiras de prevenir os sintomas do envelhecimento como citei. A Flacidez, perda de colágeno, acompanhamento nutricional, exercício físico. Quanto mais essa paciente se cuida e dedica um tempo pra ela, menos ela vai precisar recorrer a tratamentos agressivos com a chegada da idade mais avançada.

Envelhecer não é algo ruim. Quero, inclusive, amenizar o peso dessa palavra com “ganhar experiência”. A gente ganha uma ruga, mas ganha maturidade. A melhor forma de se cuidar é estar sempre presente, seguindo as orientações de seu médico e se cuidando devagar. O cuidado “homecare”, por exemplo, é fundamental na complementação de tudo o que a gente faz no consultório e continuando a se cuidar e se olhar no espelho e se gostar.

Quais são suas indicações para que as mulheres envelheçam com vaidade, mas sem exageros?

A melhor orientação é sempre a prevenção dentro e fora do tripé: hidratação, nutrição e alimentação.  Antes dos 30 anos a gente não tem muito o que fazer porque ela é muito jovem. Nessa fase, talvez ela queira melhorar um pouco os lábios por uma questão de proporção ou vaidade. A partir dos 30 anos a gente já ganha um pouco de rugas e aí já entraria a toxina botulínica preventiva. Já chegando perto dos 40, a gente já pode começar a usar bioestimulador pra prevenir flacidez e manter o colágeno balanceado. Pode até ser que ela tenha manchinhas de pele que podem ser tratadas e cuidadas.

A partir dos 40 anos a gente já começa a ter um pouquinho de reabsorção óssea principalmente perto do nariz e se faz necessário um pouco de preenchimento na região ou toxina botulínica na fronte e ao redor dos olhos. Indico também o bioestimulador.

A partir dos 50 isso tudo já se acentua mais e o tratamento da toxina se faz muito necessário na fronte, ao redor dos olhos, parte inferior do rosto, na linha do pescoço. Preenchedores também são indicados para cuidar da face para dar mais volume nas regiões das maçãs do rosto, dos lábios que também perdem hidratação. Mais uma vez o bioestimulador pode se fazer presente.

Claro que falo isso de uma forma bem generalizada, como possibilidades. Mas todo e qualquer atendimento é personalizado de acordo com a necessidade de cada uma, sempre prezando pelo bem estar e melhor qualidade de vida.