Entrevista com Thassanee Wanick

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Em uma passagem por Florianópolis para apresentar a arte do elefante idealizado por ela e patrocinado pela Swarovski para a Elephant Parade Floripa 2015, a Cônsul Geral da Tailândia para São Paulo e Sul do Brasil, Thassanee Wanick, concedeu uma entrevista ao Terapia do Luxo na qual falou sobre as semelhanças e diferentes entre brasileiros e tailandeses, sustentabilidade e seu amor pelos animais e pelas crianças.

Com um cativante e sempre presente sorriso, Thassanee Wanick conversou animadamente e falou sobre cada tema com a intensidade e a paixão de quem acredita que tudo pode melhorar depende unicamente de cada um de nós.

A senhora vivencia a realidade brasileira há bastante tempo. Em sua opinião, quais as principais diferenças ou semelhantes que existem entre a Tailândia e o Brasil?

Os povos da Tailândia e do Brasil são muito semelhantes no que se refere à hospitalidade. Os brasileiros se conhecem e, em pouco tempo se tornam amigos e convidam os outros para um churrasco. Os tailandeses, também, são muito amigáveis. Em nossa cultura é muito importante receber bem. Somos orgulhosos em servir bem. Gostamos de agradar os visitantes e turistas que desembarcam em país. Nesse ponto, somos muito parecidos com os brasileiros. A principal diferença talvez seja o fato de que o Brasil é um país muito maior. A Tailândia inteira é do tamanho do estado de São Paulo. Por isso, para o nosso país que não é muito grande, precisamos trabalhar com ainda mais dedicação questões como a sustentabilidade, a preservação ambiental e o turismo sustentável.

A senhora tem uma função estratégica na divulgação do país. Como é a atividade turística na Tailândia e como os brasileiros percebem o país?

O acesso à internet é uma realidade em praticamente todo o Brasil, por isso os brasileiros estão cada vez se informando mais. A Tailândia está se tornando uma referência para os turistas brasileiros que buscam realizar um casamento de luxo e desfrutar de uma lua de mel inesquecível. A grande maioria dos brasileiros que visitou a Tailândia, recentemente, afirmou que amou a experiência. Essa impressão positiva faz com que outros brasileiros também queiram conhecer o país. Nossas praias são diferentes das praias brasileiras. Muito bonitas também, mas diferentes. Algumas possuem lindos corais. Muitos brasileiros alimentam o sonho de conhecer a Tailândia.

A Elephant Parade Floripa 2015 é um evento que, como o próprio nome indica, faz uma homenagem aos elefantes. A senhora tem uma história particular com esses animais. Poderia falar um pouco sobre isso?

O elefante é o animal símbolo da Tailândia. Existe um relacionamento de muito tempo com esses animais. De forma histórica, os elefantes desempenham um papel semelhante ao dos cavalos no Brasil. Mas, na Tailândia, os elefantes trabalham na construção civil. Durante muito tempo eles transportavam madeiras das florestas. Porém, o governo proibiu o corte das madeiras e os elefantes, então, foram abandonados e acabaram migrando para as áreas urbanas. Porque, afinal de contas, eles precisam se alimentar. Os elefantes precisam de aproximadamente 250 quilos de alimentos por dia para sobreviver e essa busca por comida começou a acarretar diversos problemas nas cidades. Há cerca de oito anos eu descobri a história de um filhote de elefante que foi abandonado com a mãe na cidade e, para sobreviver, foram obrigados a se alimentar de lixo. Conseguimos, então, adotar o filhote, a mamãe e o treinador, porque se não damos emprego para os treinadores eles acabam pegando mais elefantes na floresta.

A senhora confeccionou a obra a convite da Swarovski, uma das mais tradicionais e importantes marcas de luxo do mundo. Como foi essa experiência?

Eu queria confeccionar um elefante que fizesse as pessoas sonharem. E não havia parceiro melhor que a Swarovski para tornar a peça algo que, realmente, chamasse a atenção. Eu já conheço o trabalho da marca há bastante tempo e acho belíssimo. Esse elefante que eu fiz é dedicado a todas as crianças brasileiras e do mundo, que no futuro serão nossos líderes. Se nós ensinarmos os valores corretos, as crianças vão aprender. Nesse ano, na Tailândia, também acontece a Elephant Parade. Uma das grandes ideias do evento é, justamente, unir os esforços das pessoas comuns que se preocupam com a sustentabilidade do planeta. As pessoas conhecem as histórias de vida dos elefantes e se sensibilizam com isso. É claro que os elefantes são apenas um símbolo, mas é fundamental que esses símbolos chamem a atenção das pessoas. Eu fui convidada para o evento na Tailândia, mas, infelizmente, não seria sustentável eu me deslocar até lá para pintar uma peça. Mas, os bons exemplos estão cada vez mais em evidência. Atualmente, já existe um trabalho de treinamento com os elefantes no qual os treinadores não batem nos animais, os comandos são ensinados através de música. O método didático lembra o ensino das crianças nas creches, sem violência, humanizando ao máximo o treinamento. É preciso ter compaixão com todos os seres, não só com os animais, mas também com as pessoas.

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