Desafio do milênio: será que as marcas estão prontas para atender o novo perfil de consumidor?

Há alguns dias eu publiquei aqui um artigo falando sobre como o novo perfil de consumidor vai surgir pós pandemia. Afinal, novas tendências sempre nascem a partir de acontecimentos que refletem diretamente em nossa vida e na nossa rotina. É exatamente o que estamos vivendo hoje e é preciso um grande poder de adaptação para se reinventar e inovar a fim de manter um forte posicionamento no mercado

É fundamental entender como surge o novo perfil, assim como “quem será” o novo público-alvo: nesse núcleo, vão se encaixar as pessoas mais conscientes na hora de consumir. Não falo necessariamente sobre o fato de racionalizar o ato da compra, mas sobre a clareza das pessoas em relação à muitas questões. O público estará cada vez mais ligado ao “eu interior”, como individuo pessoal e coletivo – e como esse fator tem ligação profunda com a marca e desperta sintonia. Esse será o único caminho que o fará ser influenciado e se relacionar com a marca.

Sempre houve uma barreira a ser quebrada que é promover o lado emocional para provocar encantamento, desejo e, agora, depois desse período de quarentena, isso vai se fazer ainda mais constante e real. Vai ser preciso fazer com o que o consumidor se identifique com a essência da empresa, da missão, se veja ali fazendo parte da proposta da marca. O único elo que ligará uma pessoa a uma brand será a inclusão emocional.

O novo consumidor será ainda mais exigente, ele vai querer algo mais personalizado e individualizado. Eles vão clamar para que sejam entendidos, compreendidos e que isso seja refletido nas peças e coleções. As marcas que têm apelo com o social, meio ambiente e equilíbrio econômico sairão na frente. O engajamento real será a justificativa para o consumo.

Isso tudo porque uma das principais características será a hiperconexão de uma forma ainda não vista, mesmo já fazendo parte de um universo extremamente virtual. O público que viveu, presenciou e cresceu durante essa pandemia, foi o público que participou de um movimento 100% online, onde tudo era feito através desse único vínculo: desde o ensino, arte e cultura, até o momento da compra.

Se o consumidor, que está completamente conectado, já tem acesso a todas as informações e experiências, como as marcas farão para transportar isso ao off-line e facilitar a venda e experiência no “mundo real”? Esse será o desafio do milênio.

Daqui uns 15, até 20 anos, vamos ver um perfil de consumidor que foi “originado” nessa pandemia. As crianças que estão vivendo o momento atual e que são extremamente estimuladas dentro de casa, com os consoles eletrônicos, com o acesso constante ao universo online, aprendendo a brincar sozinhas por terem que enfrentar o isolamento, acompanhando seus familiares adotando novos comportamentos. A única forma de contato é o virtual e isso será refletido em seu posicionamento como indivíduo lá na frente.

As marcas vão ter que entender que a partir de agora a comunicação será uniforme, ou seja, ela deverá ser coerente e única em todas as plataformas: seja no Whatsapp, dentro da loja, no site, no Instagram ou em qualquer ecommerce. A equipe vai precisar ainda falar essa mesma linguagem para ser interpretada da mesma forma em qualquer ponto de conexão com o consumidor, afinal ele é multiconectado e tem a oportunidade de se comunicar com ela em todas essas frentes.