De Maria Ruth Jobim: Por que escolhi o design?

Estou muito feliz com o convite em escrever essa coluna para o Terapia do Luxo. Confesso que fiquei bastante reflexiva pensando em qual seria o primeiro texto. Sobre o que eu iria escrever?

Foi aí que veio a pergunta minha cabeça: por que design? Por que eu escolhi essa carreira?

Eu entrei na faculdade sem nem saber sobre o que se tratava ao certo uma graduação em design. Acredito que o que me fascinou e, ainda me fascina, é a capacidade de reinvenção, evolução e de surpreender. Na minha opinião, o design organiza o mundo. A nossa conexão com marcas, pessoas e culturas é facilitada através do design, em suas inúmeras formas e nuances.

É a partir dos objetivos e plataformas ao nosso redor que nos comunicamos, que dizemos quem somos para o mundo e que nos expressamos individualmente e coletivamente. Uma cultura se expressa através do design que produz. Veja como exemplo o design escandinavo que ganhou popularidade nos últimos tempos. Esse estilo característico traduz códigos muito próprios da cultura escandinava, sendo claramente representados na expressão dinamarquesa

“Hygge” (pronuncia-se hu-ga). Hygge traz a ideia do contentamento do simples, de momentos como um chocolate quente num dia de frio, uma tarde leitura. E, nesses pequenos momentos enxergar verdadeiramente a beleza e a felicidade. Isso se traduz em um design limpo, preciso, funcionalista e minimalista. A beleza no simples.

Com frequência, vejo pessoas que ainda duvidam: mas eu preciso pensar no design? Preciso de um designer? O que é design, afinal? O que é que você faz mesmo? Perguntas que recebi do meu próprio avô, até hoje um dos homens mais cultos que já conheci, se não o mais. Para ter uma ideia, ele leu o dicionário. Sim. Ele leu to-do o dicionário. E a minha explicação é: design é tudo que a gente percebe e interage no nosso cotidiano feito por nós humanos. Podendo claro, ser um bom design ou um design ruim. Eu acredito que o bom design é aquele que parece óbvio. Quando sentamos em uma cadeira e sentimos que abraçou o nosso corpo de tanto conforto. Bem. Essa é uma cadeira bem desenhada. O que leva as vezes a pensarmos que é simples. “quero uma cadeira que eu me sinta confortável ao sentar”. E, é ai que mora a dificuldade e o bom design. O bom design vive nas minúcias, nos detalhes.

Bem, eu acho que é por esse grandiosidade e simplicidade que permeia o design que ele me encanta e me surpreende constantemente. E, é por isso que eu escolhi viver uma carreira guiada pelo design.