Corpos Celestiais: A relação da religião com a moda durante o Met Gala 2018

Há quem considere a moda um meio impróprio ou inadequado para se envolver com ideias sobre o sagrado e o divino. Porém, essa relação não tem nada de nova, uma vez que os vetores que impulsionam os desejos de consumo podem partir de áreas inimagináveis. Em 1989, a cantora Madonna já causava polêmica ao adotar símbolos religiosos em seu videoclipe da música “Like a Preyer”: entre cruzes incendiadas e  guitarras que se misturam a um enigmático canto gospel, ela elevou à máxima potência a relação entre a religião e a indústria do entretenimento.

 

E na noite da última segunda-feira, 07, esse relacionamento esteve novamente em evidência, quando o The Metropolitan Museum of Art de Nova York abriu as suas portas para a 70º edição do tradicional MET Gala, baile beneficente realizado todos os anos com o objetivo de arrecadar fundos para o Costume Institute do museu, bem como inaugurar a nova exposição da instituição. Batizada de “Corpos Celestes: Moda e Imaginação Católica”, a mostra celebra a influência do catolicismo na moda, com cerca de 40 vestes e acessórios da Igreja Católica trazidos da Cidade do Vaticano.

 

Com algumas peças religiosas que datam do ano 500 expostas ao lado de vestidos de alta costura assinados por Coco Chanel, John Galliano, Balenciaga e Versace, esse é considerado o mais polêmico e controverso tema em 70 anos de evento. São mais de 150 looks que carregam uma série de intervenções e que ajudam a forjar o diálogo entre a moda e as artes religiosas, mostrando como a Igreja funciona como uma referência para todo o Ocidente e influencia a estética de designers de perfis bem variados.

 

O dress code da festa de gala, que esse ano teve como anfitriãs a estilista Donatella Versace, a advogada e humanitária Amal Clooney e a cantora Rihanna – além da toda-poderosa Anna Wintour, Editora da Vogue Americana e organizadora do evento – sempre está diretamente relacionado à temática da exposição. Ou seja: a influência da religião na moda foi o eixo central do Red Carpet desse ano, trazendo uma estrelada lista de convidados usando produções das grandes marcas de luxo inspiradas nas crenças religiosas para criar verdadeiras obras de arte.


Da “Santíssima Trindade” da Gucci – formada pelo Diretor Criativo Alessandro Michele e pelos cantores Lana Del Rey e Jared Leto -, passando pelo vestido e mitra exclusivos de Rihanna, assinados por John Galliano e sua Maison Margiela, às asas angelicais de Katy Perry e a cauda de tapeçarias de Blake Lively, ambas assinadas pelo Atelier Versace – um dos patrocinadores da edição desse ano do evento – as grifes mostraram que, se há algo em comum entre a moda e a religião, é a enorme capacidade de cada uma para transmitir poderosas mensagens.

 

Crédito das imagens: Divulgação.