Avanço do Coronavírus no mundo afeta economia e mercado de luxo global

O Brasil confirmou essa semana o primeiro caso de coronovírus no país. A vítima é um homem de 61 anos que acabou de chegar da Itália, onde o Covid-19 já contaminou 374 pessoas, fazendo 12 vítimas fatais. O cenário fez com que o mercado cambial abrisse com tensão após o feriado de Carnaval. E não apenas no Brasil: o aumento de casos da doença na Europa, especialmente na região do Lácio, na Itália, e na Coreia do Sul, está provocando a derrubada das bolsas nos principais mercados mundiais.

E no setor de luxo, o sinal vermelho da crise já foi aceso, já que atualmente a China – epicentro da epidemia do coronovírus – corresponde a um terço do mercado global de alto padrão, com um faturamento anual de 100 bilhões de dólares. Mas, por causa do avanço do vírus, marcas como Saint Laurent e Ralph Lauren viram o movimento cair em até 80% e têm mantido suas lojas fechadas no país. 

A Semana de Moda de Xangai, que aconteceria em abril e receberia grandes nomes do mercado de luxo como Burberry, Dior, Valentino e Prada, foi adiada para ajudar a conter o surto da doença. Após um final de ano bastante positivo para os principais grupos de luxo, com máximas históricas registradas nas bolsas, LVMH, Kering, Richemont e Hermès zeraram ganhos após o pânico causado pelo avanço da doença, e a queda nas vendas no mercado de luxo já ronda a casa dos 5%, podendo chegar a 7% neste ano. 

Só na Itália, um dos principais destinos de compras de alto padrão, o fluxo de clientes em lojas e o faturamento do varejo de luxo diminuíram de 30 a 40% no primeiro final de semana da propagação da infecção por coronavírus no país. Milão, capital da moda italiana, encerrou sua Semana de Moda no último domingo, 23, com a cidade fechando suas portas drasticamente. A Bolsa de Valores de Milão, inclusive, entrou em colapso na segunda-feira (24), com queda de 5,43%. Entre as ações mais afetadas estão as de empresas de luxo, como Salvatore Ferragamo (-8,9%). 

No resto da Europa, a Bolsa de Londres caiu 3,3%, o CAC de Paris perdeu 3,94% e o Dax alemão 4,01%, e os valores mais afetados foram os relacionados ao turismo, ao luxo e aos produtos básicos. A Burberry caiu 4,4% e a LVMH, que inclui, entre outros, a Louis Vuitton, 4,6%. A previsão dos especialistas era que o crescimento econômico global fosse reduzido em 0,3% por causa da epidemia. Um estudo do Banco Mundial, porém, diz que uma pandemia mais severa pode causar perdas econômicas equivalentes a quase 5% do PIB global: ou seja, mais de US$ 3 trilhões.