As estratégias das marcas de luxo na era dos “produtos invisíveis”

A Chanel é um dos símbolos absolutos do mercado de luxo mundial. A marca fundada no início do século XX soube se reinventar e se adaptar aos novos tempos, sempre entendendo e antecipando as demandas de seu público. Para se ter uma ideia da relevância da grife no cenário da moda mundial, durante a década de 1930, somente em um ano, a grife criada por Coco Chanel registrou um total de vendas superior a 28 mil peças.

Analisando esse montante, uma certeza fica evidente: o mercado de alto padrão mudou muito nos últimos anos. Atualmente, vive-se uma época de instabilidade em muitas nações, o que faz com que o desenvolvimento econômico seja bem menos acelerado. Além disso, as inovações do mercado e as novas exigências dos consumidores, em especial nas questões ligadas à sustentabilidade, impactaram diretamente o mercado, que busca se adaptar às novidades crescentes e sistemáticas.

Por isso, é não é exagero afirmar que somente as marcas que entenderem as profundas mudanças pelas quais o mercado de luxo atravessa é que terão sucesso hoje e no futuro. E, uma das principais mudanças, é a percepção de que embora seja física e palpável, a maioria dos produtos ligados ao segmento de alto padrão ficou “invisível”.

A ideia de produto invisível, muito bem abordada por Gabriela Fernandez em um texto publicado no portal Meio & Mensagem, destaca o fato de que as marcas já perceberam, ou já deveriam ter percebido, que “um produto por si só pode não solucionar a necessidade do consumidor. Porque hoje a busca é por novas experiências”.

A concepção de que o desejo não se restringe apenas ao produto de luxo, quer seja ele um automóvel, uma bolsa, um perfume ou uma joia, e se liga cada mais com as vivências no processo de compra mudou o mercado. Os consumidores, especialmente a geração millennial, deixaram de usar um produto e passaram a vivenciar sua marca favorita, corroborando suas ideias e se valendo do direto de criticar sempre que julgar necessário.

Essas experiências estão associadas de forma direta aos serviços e, especialmente a excelência dos serviços oferecidos. Um produto deixou de ser visto apenas como o resultado final em exposição na prateleira. Ele é o somatório de todas as etapas envolvidas em sua produção antes, durante e, também, após o ato da compra, potencializando a ideia de que a ápice não é o consumo e, sim, os benefícios tangíveis e intangíveis que um determinado produto pode agregar na vida do consumidor.

Gabriela Fernandez encerra seu texto afirmando que “antes, consumir era sobre adquirir um produto e colocar na prateleira. Hoje, o produto final é invisível”. E somente as organizações que souberem entender o seu produto físico como algo transcendental e, por vezes, literalmente invisível, é que vão continuar conquistando seus clientes com suas estratégias e protagonizando a história do mercado em todo o mundo.

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