Arte, Design

Design se mistura a arte

Design se mistura a arte

“Se uma pessoa, sem nenhum esforço de sua parte e sem mudar sua situação, ao ler, ouvir ou ver uma obra de outro homem, experimenta um estado de espírito que a une a esse homem e aos outros que percebem assim como ela o objeto de arte, então o objeto que provocou esse estado é uma obra de arte.”

A frase acima é de Leon Tolstói e foi extraída do texto  O que é arte?.

Afinal de contas, design é arte? Uma cadeira pode ser considerada por aquilo que se vê dela? O que importa, em uma mesa, é que ela corresponda à sua função esperada com eficiência e conforto ou podemos desejar algo mais do que isso?

Sempre estive em uma gangorra entre essas considerações, ora pendendo para um lado, ora para outro. Preocupo-me, como designer, com a ergonomia, com o conforto, com novos materiais que possam dar ao móvel responsabilidade social. O desenho? Sua importância não vem nem antes nem depois, mas junto com essas concepções.

Realizar uma coleção em parceria e diálogo com o estilista Lino Villaventura levou a conversa a outros termos, felizmente. O resultado foi um mobiliário com imaginação e interação. Para fazer as peças, vestidos de Lino foram fotografados em tamanho real. As texturas e os bordados foram misturados tais como se apresentavam para não perder a experiência do volume real.

“A cadeira não é só uma cadeira estampada, mas uma cadeira que tem uma história impressa”, foi o que o próprio Lino afirmou ao ver o trabalho finalizado. Quanto à nossa mesa de jantar, a questão foi ainda mais longe: ela desperta imaginários para além do móvel em si, de fato. São seis diferentes opções de estampas e o tampo da mesa tem uma camada feita de pequenos retângulos removíveis, que podem ser combinados de infinitas formas. Assim, a cada dia se pode ter uma mesa “diferente”. A peça só se completa na relação ENTRE o design e seu público; depende da sua ação para poder estar completa. Feita de madeira e acrílico reciclável, a mesa LINO tem sempre uma condição “provisória”, que oferece um campo de imaginação e jogo.

Talvez a relação entre design e arte deva seguir como uma questão viva, menos para ser respondida em definitivo e mais para que continue a estimular as pessoas que, assim como a FAHRER e Lino Villaventura, estão interessadas no seu público.

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